Duda.

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Mamãe, o que é preconceito? perguntou a menina com seus olhos infantis cheios de inocência. A mãe virou-se surpresa sem saber exatamente que resposta dar a uma criança de seis anos.

– Onde ouviu essa palavra filha?

-Papai disse no telefone: isso é preconceito.

A mãe, aparentemente desconfortável com a pergunta, desconversou.

– Não é nada demais filha, vá lavar as mãos para jantar.

No dia seguinte, logo cedo o telefone toca, Ana atende. Havia uma vaga para sua filhinha. Cheia de esperança ela repetiu a mesma cena dos últimos dois meses, pegou Maria Eduarda e juntas foram conhecer, quem sabe, a escola onde a pequena estudaria.

– Quero andar, disse a pequena ao adentrarem na escola.

Mãe e filha, de mãos dadas foram.

-Pois não, disse a funcionária.

– Sou Ana dos Anjos, recebi uma ligação a respeito de uma vaga para minha filha estudar.

Após observar mãe filha por alguns instantes, acompanhou-as até a sala da diretora.

-Por aqui.

Duas batidas leves na porta.

-Pois não, respondeu a diretora.

– Esta moça quer falar com a senhora.

– Humm, certo, pode nos deixar a sós Camila, e traga uma água.

-Sim senhora.

-Sente-se, disse a diretora indicando o assento a sua frente – não prefere deixá-la lá fora no parque com as outras crianças?

– Não, ela  costuma estranhar ambientes novos.

– A conversa pode ser longa, ela ficará em companhia de outras crianças, não se preocupe.

– Bem, se ela vai estudar aqui, acho que vai ser bom já ir se acostumando…

Batidas na porta.

– Entre Camila.

– Aqui está a água.

– Obrigada, deixe na mesa e, por favor, acompanhe a menina até o parque, fique de olho nela, sim?!

– Sim senhora.

A pequena que parecia tão encantada com o novo ambiente foi sem a menor hesitação, enquanto o coração da mãe se comprimia.

– Ela vai ficar bem, disse a diretora, que a observava.

– Preciso me acostumar a tê-la longe de mim…

Uma pausa. Pausa contínua, Ana batucava a bolsa, e olhava em volta, a decoração da sala minuciosamente bem feita, na mesa fotos de duas crianças, deviam ter entre oito e nove anos, provavelmente filhos…

– Então, começou a diretora, analisando uma ficha – Ana, ela é sua única filha?

– Sim, meu tesouro, disse com o autêntico olhar materno.

-Sim, imagino que seja. Aceita um copo de água?

– Obrigada, disse ela tomando um gole.

– Ok, bem eu vou tentar ser a mais direta e delicada possível… Não podemos aceitar sua filha aqui.

Engasgada Ana conseguiu dizer: O quê?!

– Me desculpe, devia ter esperado você beber sua água. Está melhor? – sem esperar a resposta continuou – A sua filha é uma criança deficiente, nós não temos estrutura para lidar com o problema dela…

– Deficiente?! Ela não é deficiente ela é especial! Muito especial.

– Chame com quiser, isso não muda o fato dela não ser como as outras crianças. Já parou para imaginar as dificuldades que ela terá a partir do momento em que entrar numa escola?

– A Maria Eduarda é muito inteligente.

– Considerando a deficiência dela, talvez seja mesmo.

– Não ouse falar assim da minha filha!

– Acho melhor eu pedir mais um copo de água.

Maria Eduarda estava fascinada com o novo universo, as crianças se divertiam no parque, observadas pelas professoras. Soltou a mão de Camila e foi correndo até um grupo de crianças que brincavam no escorregador, animada com a brincadeira, entrou na fila. Não pôde subir no escorregador, antes que o fizesse uma garotinha olhou para ela e disse:

– Você é feia, por que seu rosto é esquisito? E não sabe falar! Haha, não sabe fala- ar. E começou a imitar o jeito de Maria Eduarda, e ela tão pequena e inocente, começava a entender naquele momento o significado daquela palavra que antes desconhecia. Preconceito.

Maria Eduarda tinha Síndrome de Down e essa foi apenas mais uma das rejeições que já havia sofrido e provavelmente mais uma das que ainda sofreria.

Existem milhares, milhões de pessoas ao redor do mundo que já sofreram algum tipo de preconceito, seja por cor, raça, credo, opção sexual, classe

Essa história é ficcional, mas foi uma maneira simples que encontrei para responder à pergunta de pequena Maria Eduarda sobre o que é o preconceito. Preconceito é quando você olha torto para alguém que tem um estilo diferente do seu, preconceito é quando você conta piadas de japonêsbaianos ou negros, preconceito é quando você critica as roupas de alguém financeiramente inferior a você, ou quando ri de uma garota acima do peso. Preconceito é rejeitar tudo quanto foge do “seu normal”, tudo“quanto é diferente, mas não se esqueça, da mesma forma que alguém é diferente para você, você pode ser diferente para alguém, e o preconceito só é levado a sério quando sentido na pele.

“Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter” (Martin Luther King)

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e quando eu crescer…

superboy

Pergunte a uma criança o que ela vai ser quando crescer:

Bailarina, veterinária, cientista, mulher-maravilha, médica, astronauta, presidente, bombeiro, policial, escritora, são tantos sonhos. Chega uma fase da vida em que a única certeza que temos é que seremos adultos e ponto. Mas em algum momento precisamos escolher qual caminho seguir e nessa hora todos eles parecem incertos, ficamos entre os sonhos de criança e os objetivos de um adulto, entre dinheiro e sonhos.

Nutrição foi a minha escolha, independente de salários ou reconhecimentos, escolhi algo que eu sei que terei prazer em fazer daqui a 40 anos. Os outros sonhos? Não os deixei pra trás, eles continuam aqui, ainda vou ser bailarina, mulher-maravilha, médica, presidente e escritora, ainda que sem livros.

Sinceramente não quero me tornar mais um profissional que acredita que sucesso tem a ver com dinheiro, pra mim sucesso tem muito mais a ver com as realizações pessoais de cada um.

Me admiro quando vejo histórias de pessoas que após 50, 70 anos, decidem dar um novo rumo às suas vidas, se arriscar em novos caminhos sem medo de errar.

E se daqui a dez anos eu desistir da nutrição? Sem problemas, outras dez profissões me aguardam!

uma gota d’água. um grão de areia.

Quem sou eu. após  18 anos de vida ainda não definir, talvez daqui há 20 anos continue não sabendo.

Sou um menina se tornando mulher, que ainda gosta de colo de pai, carinho de mãe,  abraço de irmão. Que é ciumenta mas não admite. insegura em relação às suas escolhas. tímida ao falar em público. tagarela na roda de amigos. apaixonada por livros. movida à música. distraída ao ponto de ser desastrada. graciosa quando quer. educada com os mais velhos. fiel aos amigos . Dedicada a Deus. que anda de mãos dadas com o pai no meio da rua sem vergonha nenhuma. que acredita em contos de fadas com príncipes que abrem a porta do carro e te levam pra viver num reino encantado.  que transforma o teto estrelado de seu quarto numa tela, onde o filme é a vida que sonha viver. onde será uma mãe perfeita.

uma mulher que se sente insegura em relação ao corpo. que tem medo de morrer sem ter feito algo importante pela humanidade.  que tem medo e crescer e se esquecer do quanto é divertido ser criança.  que tem um caderno de poesias.outro com receitas que pretende cozinhar para o marido. uma garota à moda antiga. que ama o silêncio. cheia de curiosidade infantil. cujas ideias fluem debaixo do chuveiro. que fala sem parar quando está nervosa.

que sonha com um mundo melhor. e acredita que com lápis e papel nas mãos será capaz de mudar o mundo.

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