Chorei. porque eu sei como é.

200369802-001Existem vários tipos de blog, blogs que falam de música, de cinema, de comida, de moda, de poesias e blogs que falam de tudo isso junto, existem também blogs que falam da vida particular, do dia-a-dia, das angústias, estes particularmente me atraem e foi lendo um desses blogs que conheci uma garota, cujo nome não sei, mas que muito me impressionou por sua triste história. Na verdade é só mais uma história entre milhares, talvez milhões.Uma adolescente que a princípio queria perder 2 kilos, depois mais 2, depois mais 2 e quando viu (na verdade elas nunca vêem) já não conseguia mais parar, estava obcecada, e o pior, não conseguia ver que aquilo tudo não era algo normal, não era uma amiga (Ana), era uma doença. ANOREXIA.

Chorei. Chorei, porque fiquei triste por ela. Chorei porque senti pena. Chorei porque senti raiva. Chorei porque sei o que é comer e se torturar por isso. Chorei porque sei como é chorar ajoelhada diante do vaso sanitário. Chorei por compaixão.

Lendo as postagens daquela garota, inúmeras coisas passaram pela minha mente. Fiquei revoltada porque ela é só mais uma vítima da ditadura da magreza. Fiquei aliviada ao ver que poderia ser eu ali.

Transtornos alimentares como anorexia e bulimia são doenças que começam com uma ideia que surge quando você abre uma revista Vogue e se depara com uma modelo ‘linda’ e magra, ou quando assiste a uma edição da SPFW e vê que suas pernas não são tão finas pra usar aquele short. Ideias assim surgem todos os dias nas cabeças de inúmeras garotas que como eu acabam se deixando levar e tentando adotar um padrão que não lhes pertence. Sonhando com um universo que não existe.

Entre lágrimas senti, talvez, o mais forte de todos os sentimentos: Gratidão. Gratidão à Deus que me fez perfeita e àqueles que quebraram o espelho que distorcia meu corpo e rasgaram as revistas que distorciam a minha mente e me ajudaram a enxergar que Deus é perfeito, em mim mesma.

Não sei o que aconteceu com ela, não voltei ao blog pra saber, sei que palavras não a farão mais mudar. O estágio que ela atingiu é delicado, mas eu torço pra que ela não seja mais uma vida perdida, porque eu sei como é chorar ajoelhada diante do vaso sanitário.

Existem canções, filmes e fotos que retratam essa realidade, pra quem estiver interessado, aqui vão algumas sugestões:

– Em 1999, o vocalista da banda de rock Silverchair, Daniel Johns, escreveu uma música Ana’s Song, contando sua própria experiência e luta contra a anorexia. A sonoridade da música é linda e melancólica. Vale a pena ouvir e ver o clipe que ilustra bem a doença.

– Cyberbulliying, Garota fora do jogo, esse filme não traz como tema a anorexia ou bulimia e sim o bullying, mas em algum momento mostra o quanto uma opinião pode nos matar, ao ter seu corpo criticado, a garota decide parar de comer para ser magra.

– Há outros filmes como, When friendship kills (Quando a amizade mata).

– Duas músicas que particularmente gosto: Beautiful, Christina Aguilera, fala da importância de sermos bonitos pra nós e não para os outros.

Beautiful Disaster, do John McLaughlin, que conta como muitas garotas abrem mão de si mesmas para ‘se encaixarem’.  O vídeo dessa música é super bonito, vale a pena assistir.  Alguns trechos que eu gosto na música:  anorexia-y-bulimia

Ela jura que não há diferença nenhuma entre mentiras e elogios
É tudo a mesma coisa se alguém a deixa

Ela mudaria tudo, tudo, apenas pergunte para ela
Presa entre o belo desastre

Tentando agir tão artificialmente
Com medo de ver que ela perdeu sua direção
Ela nunca é a mesma por muito tempo
Assumindo que ela irá começar errado
Perfeita somente na sua imperfeição

Ela é apenas do seu jeito
Mas ninguém falou para ela que assim esta bom

Ela precisa apenas de alguém que a leve para casa.