A boneca mais linda

 

O racismo está presente  na sociedade, enraizado, muitas vezes sob uma capa chamada hipocrisia. A opinião dessas crianças é a prova mais sincera de que ele está presente, até mesmo na inocente mente de uma criança.

Balão Preto

 Era uma vez um velho homem que vendia balões numa quermesse.

Evidentemente, o homem era um bom vendedor, pois deixou um balão vermelho soltar-se e elevar-se nos ares, atraindo, desse modo, uma multidão de jovens compradores de balões.

Havia ali perto um menino negro.

Estava observando o vendedor e, é claro apreciando os balões.

Depois de ter soltado o balão vermelho, o homem soltou um azul, depois um amarelo e finalmente um branco.

Todos foram subindo até sumirem de vista.

O menino, de olhar atento, seguia a cada um.

Ficava imaginando mil coisas…

Uma coisa o aborrecia, o homem não soltava o balão preto.

Então aproximou-se do vendedor e lhe perguntou:

– Moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros?

O vendedor de balões sorriu compreensivamente para o menino, arrebentou a linha que prendia o balão preto e enquanto ele se elevava nos ares disse:

– Não é a cor, filho, é o que está dentro dele que o faz subir.

Anthony de Mello.

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Duda.

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Mamãe, o que é preconceito? perguntou a menina com seus olhos infantis cheios de inocência. A mãe virou-se surpresa sem saber exatamente que resposta dar a uma criança de seis anos.

– Onde ouviu essa palavra filha?

-Papai disse no telefone: isso é preconceito.

A mãe, aparentemente desconfortável com a pergunta, desconversou.

– Não é nada demais filha, vá lavar as mãos para jantar.

No dia seguinte, logo cedo o telefone toca, Ana atende. Havia uma vaga para sua filhinha. Cheia de esperança ela repetiu a mesma cena dos últimos dois meses, pegou Maria Eduarda e juntas foram conhecer, quem sabe, a escola onde a pequena estudaria.

– Quero andar, disse a pequena ao adentrarem na escola.

Mãe e filha, de mãos dadas foram.

-Pois não, disse a funcionária.

– Sou Ana dos Anjos, recebi uma ligação a respeito de uma vaga para minha filha estudar.

Após observar mãe filha por alguns instantes, acompanhou-as até a sala da diretora.

-Por aqui.

Duas batidas leves na porta.

-Pois não, respondeu a diretora.

– Esta moça quer falar com a senhora.

– Humm, certo, pode nos deixar a sós Camila, e traga uma água.

-Sim senhora.

-Sente-se, disse a diretora indicando o assento a sua frente – não prefere deixá-la lá fora no parque com as outras crianças?

– Não, ela  costuma estranhar ambientes novos.

– A conversa pode ser longa, ela ficará em companhia de outras crianças, não se preocupe.

– Bem, se ela vai estudar aqui, acho que vai ser bom já ir se acostumando…

Batidas na porta.

– Entre Camila.

– Aqui está a água.

– Obrigada, deixe na mesa e, por favor, acompanhe a menina até o parque, fique de olho nela, sim?!

– Sim senhora.

A pequena que parecia tão encantada com o novo ambiente foi sem a menor hesitação, enquanto o coração da mãe se comprimia.

– Ela vai ficar bem, disse a diretora, que a observava.

– Preciso me acostumar a tê-la longe de mim…

Uma pausa. Pausa contínua, Ana batucava a bolsa, e olhava em volta, a decoração da sala minuciosamente bem feita, na mesa fotos de duas crianças, deviam ter entre oito e nove anos, provavelmente filhos…

– Então, começou a diretora, analisando uma ficha – Ana, ela é sua única filha?

– Sim, meu tesouro, disse com o autêntico olhar materno.

-Sim, imagino que seja. Aceita um copo de água?

– Obrigada, disse ela tomando um gole.

– Ok, bem eu vou tentar ser a mais direta e delicada possível… Não podemos aceitar sua filha aqui.

Engasgada Ana conseguiu dizer: O quê?!

– Me desculpe, devia ter esperado você beber sua água. Está melhor? – sem esperar a resposta continuou – A sua filha é uma criança deficiente, nós não temos estrutura para lidar com o problema dela…

– Deficiente?! Ela não é deficiente ela é especial! Muito especial.

– Chame com quiser, isso não muda o fato dela não ser como as outras crianças. Já parou para imaginar as dificuldades que ela terá a partir do momento em que entrar numa escola?

– A Maria Eduarda é muito inteligente.

– Considerando a deficiência dela, talvez seja mesmo.

– Não ouse falar assim da minha filha!

– Acho melhor eu pedir mais um copo de água.

Maria Eduarda estava fascinada com o novo universo, as crianças se divertiam no parque, observadas pelas professoras. Soltou a mão de Camila e foi correndo até um grupo de crianças que brincavam no escorregador, animada com a brincadeira, entrou na fila. Não pôde subir no escorregador, antes que o fizesse uma garotinha olhou para ela e disse:

– Você é feia, por que seu rosto é esquisito? E não sabe falar! Haha, não sabe fala- ar. E começou a imitar o jeito de Maria Eduarda, e ela tão pequena e inocente, começava a entender naquele momento o significado daquela palavra que antes desconhecia. Preconceito.

Maria Eduarda tinha Síndrome de Down e essa foi apenas mais uma das rejeições que já havia sofrido e provavelmente mais uma das que ainda sofreria.

Existem milhares, milhões de pessoas ao redor do mundo que já sofreram algum tipo de preconceito, seja por cor, raça, credo, opção sexual, classe

Essa história é ficcional, mas foi uma maneira simples que encontrei para responder à pergunta de pequena Maria Eduarda sobre o que é o preconceito. Preconceito é quando você olha torto para alguém que tem um estilo diferente do seu, preconceito é quando você conta piadas de japonêsbaianos ou negros, preconceito é quando você critica as roupas de alguém financeiramente inferior a você, ou quando ri de uma garota acima do peso. Preconceito é rejeitar tudo quanto foge do “seu normal”, tudo“quanto é diferente, mas não se esqueça, da mesma forma que alguém é diferente para você, você pode ser diferente para alguém, e o preconceito só é levado a sério quando sentido na pele.

“Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter” (Martin Luther King)